Um B-17, bombardeiro americano, agora uma carcaça voadora, perdido bem como as almas que lá estão.
Momentos antes bombardeava a fábrica da Focke-Wulf em Bremen, mas atingido por flaks e constantes ataques de caças alemães extraviou-se de seu grupo e a duras penas mantém-se no ar, apesar de seus vários problemas técnicos e com seus poucos tripulantes vivos feridos.
Algumas centenas de metros abaixo, um aeroporto alemão. Um ás, piloto com pelo menos 5 vitórias em combates aéreos, é convocado a abater a fortaleza voadora, nome pelo qual é conhecido o B-17. Ele levanta vôo em perseguição, mas não crê no que vê. Ao se aproximar da ré da fortaleza para dar o golpe fatal percebe que as armas traseiras estão inertes pois o atirador não mais dá sinal de vida. Ao prestar atenção percebe que a fortaleza jaz em ruínas, repleta de danos, algo que seria inconcebível continuar a voar. Nota que todos estão ou mortos ou feridos e que o piloto faz milagre ao manter o bombardeiro no ar.
O caça voa em formação com o B-17 e não atira.
O alemão tenta convencer o americano a se render e aterrissar ou se dirigir a suécia, território neutro a apenas 30 minutos de onde estavam. Entretanto, a teimosia do americano faz com que ele continue para Inglaterra, sua base. E assim foi escoltado pelo caça alemão até os limites do canal da mancha, sendo poupado pelo inimigo.
O alemão retorna a base e, não podendo informar ter deixado o inimigo fugir, informa que o mesmo caiu no mar (caso contrário seria punido com uma corte marcial).
O americano, ao conseguir chegar aos trancos e barrancos na Inglaterra e salvar seus companheiros, fica impedido, assim como os demais, de revelar o ocorrido, que é tratado como secreto pelos americanos.
Anos depois, em fins do século 20, o americano finalmente descobriu o alemão que o ajudou e o encontrou face a face. No fim, tratavam-se como irmãos.
Valentia, pena? Cavalheirismo? Bravura? Sim, pessoas como estas, presas no turbilhão da guerra são heróis por si só. Um piloto de bombardeiro, ferido no ombro, com bravura, chega a seu destino e salva seus companheiros. Um Ás alemão, por compaixão por tal bravura, melhor dizer, respeito pela força de vontade, recusa-se a dar um golpe de misericórdia em um inimigo já abatido, e permite que este viva assim como os demais tripulantes com a mesma sorte.
Atos como estes nos fazem ver que a guerra é brutal, pois ela mostra o que temos de pior como humanos, mas que mesmo entre guerreiros surge uma luz de esperança, de compreensão. Não fosse o cavalheirismo do alemão somada a força de vontade do americano dezenas de descendentes dos remanescentes deste encontro de 20 de dezembro de 1943 não estariam aqui, hoje.
Para onde vamos? Para este instante de compreensão mútua, talvez.
Quem tiver curiosidade veja o link...
http://www.flyingcarrot.com/Brown%20And%20Stigler.htm